PARTE 2 do ciclo de aulas ‘‘Desvendando os segredos’’
Total de aulas da parte 2: 5 aulas
Por: Matheus Medeiros Santos
Turma alvo: 8.º ano
Desdobramento do projeto de aulas disponível em: link
Proposta: A proposta do ciclo de aulas ‘‘desvendando os segredos’’ é dissipar muitas das questões pendentes que podem ter surgido após a leitura do conto O Fantasma de Canterville. Nesta segunda parte do ciclo, apresentamos 5 aulas que buscam esclarecer um outro possível tema de difícil compreensão por alunos de 8.º ano: o narrador. Em especial, trataremos sobre o narrador específico utilizado pelo Wilde (terceira pessoa onisciente, rico em discurso indireto livre). Mas, para isso, claro, devemos sempre utilizar o método de comparação e outros tipos de narradores serão apresentados ao longo das aulas, a fim de definir, distinguir e especificar melhor o nosso tipo específico.
Habilidades da BNCC:
(EF89LP33) Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes – romances, contos contemporâneos, minicontos, fábulas contemporâneas, romances juvenis, biografias romanceadas, novelas, crônicas visuais, narrativas de ficção científica, narrativas de suspense, poemas de forma livre e fixa (como haicai), poema concreto, ciberpoema, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto lido e estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.
(EF89LP32) Analisar os efeitos de sentido decorrentes do uso de mecanismos de intertextualidade (referências, alusões, retomadas) entre os textos literários, entre esses textos literários e outras manifestações artísticas (cinema, teatro, artes visuais e midiáticas, música), quanto aos temas, personagens, estilos, autores etc., e entre o texto original e paródias, paráfrases, pastiches, trailer honesto, vídeos-minuto, vidding, dentre outros.
(EF89LP37) Analisar os efeitos de sentido do uso de figuras de linguagem como ironia, eufemismo, antítese, aliteração, assonância, dentre outras.
Aulas 1 e 2: a multiplicidade de narradores
Nesta aula inicial desta parte o professor terá como objetivo a apresentação para o aluno de diferentes tipos de narradores. Não adentraremos no conto do Wilde por enquanto, deixaremos ele de lado para mais tarde. Neste momento privilegiamos uma exibição dos diferentes modos de contar uma história. Para alcançar isso, o professor pode se valer de diferentes modos que iremos sugerir.
Exibição das imagens a seguir, se possível.
Feito isso, provocar o debate:
- O que vocês entendem pelas imagens?
- Qual a diferença entre elas?
- Por que na terceira imagem, a figura branca observa apenas uma pessoa? o que isso quer dizer?
Essas discussões tem como missão guiar o professor a algumas explicações fundamentais quanto a natureza dos diferentes tipos principais de narradores (narrador personagem, narrador onisciente e narrador onisciente com foco narrativo específico).
O principal, aqui, é que os alunos percebam que há diferentes formas de ''contar ou narrar'' um história.
O docente, também, pode se valer do seguinte exemplo:
- ''Hoje cheguei na sala dos professores e tomei um café. Esqueci a minha garrafa de água em casa, então tive que sair da escola para comprar uma Bonafont na padaria ao lado, pois não iria aguentar a minha sede nesse dia de verão, já que os bebedouros da escola estão quebrados...''
- ''O professor Matheus chegou na escola e logo tomou um café. Ele ficou decepcionado consigo mesmo por ter esquecido a sua garrafa de água em casa e decidiu sair da escola para comprar uma Bonafont na padaria ao lado. Ele sabia que caso não fizesse isso iria ter um dia muito árduo, pois o bebedouro da escola, como era de se esperar, ainda estava quebrado.''
-''Cheguei mais cedo na escola e vi o professor Matheus entrando na sala dos professores. Entrei logo em seguida. Ele me ofereceu um café, mas recusei, pois não gosto de tomar café enquanto corrijo minhas provas. Ele saiu da sala sem dizer nada. Quando voltou, trazia nas mãos uma garrafa de Bonafont. Ele me disse que tinha esquecido a sua em casa. ''
Caso o professor traga modelos como esse (ou até mesmo usando este próprio), ele consegue demonstrar aos alunos diferentes tipos de modo de narrar um mesmo acontecimento. Incutir discussões em turma a partir dos modelos é recomendado.
Como atividade para casa, a proposta é a que segue:
- Narrar de duas formas diferentes (em primeira pessoa e em terceira pessoa com um narrador onisciente) o que aconteceu no seu dia.
Aulas 3 e 4: O narrador de Canterville
Nesta aula podemos seguir com discussões iniciadas a partir daquilo que os alunos trouxeram de casa como atividade.
Teremos diferentes cotidianos sendo narrados. Caso tenha tempo hábil o docente pode pedir para alguns alunos lerem os seus dois textos. O importante das discussões que se seguirão é:
- Demonstrar as diferenças entre primeira e terceira pessoa e o significado desses termos
- Tornar os alunos cientes quanto a questão do foco narrativo, ou seja, um narrador onisciente pode optar por ter uma onisciência só referente a uma personagem
- Preparar os alunos para a compreensão de narradores mais complexos e intricados
Esses narradores ''mais complexos e intricados'' tem como exemplo o narrador do nosso O Fantasma de Canterville.
O professor passa, então, a demonstrar como o narrador de terceira pessoa onisciente não é, necessariamente, neutro, afastado, quase robótico. Esse narrador pode, também, ''meter o badalo'', ''ser ativo em suas opiniões'', ''criticar todos os personagens e até mesmo criticar o leitor''.
O que chamamos de ''discurso indireto livre'' pode ser exemplificado para os alunos com os próprios trechos do livro, tal como:
''Na manhã seguinte, antes de Lorde Canterville partir, o sr. Otis resolveu conversar com ele sobre as jóias que Virgínia ganhara de presente do fantasma. Eram peças belíssimas, principalmente um colar de rubis montado no antigo estilo VENEZIANO, uma verdadeira obra de arte do século XVI. Além disso, eram jóias de valor tão alto, que o sr. Otis não queria permitir que sua filha as aceitasse.''
Em sequência, instigar:
- Neste trecho temos opiniões do narrador ou pensamentos das personagens misturados com a narração do narrador?
Demonstrar aos aluno como essa é a essência do narrador de Canterville: o narrador que gosta de dar sua opinião, mas que tem um discurso que, muitas vezes, se confunde com a das personagens ao ponto de um leitor desatento confundir pensamentos das personagens com opiniões do narrador.
Aula 5: narrar não é apenas escrito!
Esta aula final da parte 2 é uma aula leve e calorosa!
Aqui o objetivo é esclarecer que a narração não é apenas em textos! A literatura oral, como literatura, também, por excelência, tem uma riqueza de formas de narrar que se tornam ainda mais fascinantes pelo fato de ter um segundo narrador: o narrador da vida real, aquele que conta a história!
A aula, depois dessa breve explicação, se resumirá a uma atividade para fechar esse ciclo da parte 2 de maneira dinâmica:
- Narrem uma história, de natureza qualquer, com o narrador de sua preferência. Pode ser uma história que aconteceu com você, uma história que você ouviu alguém contando ou até mesmo uma história que você viu na televisão ou em algum desenho ou série! Utilize qualquer um dos narradores que estudamos!
Como esta é uma atividade em que os alunos narrarão histórias que eles já conhecem e tem memorizadas, não foi necessário pedir de antemão algum preparo por parte deles. Para complementar a atividade de forma a dialogar ainda mais com os conteúdos estudados, recomenda-se que sempre após um aluno terminar de narrar a sua história (em frente da sala, para todos, em voz alta), o professor pergunte ''Que narrador foi esse que ele utilizou?''.
Comentários
Postar um comentário